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CONFISSÃO FRANCESA DE LA ROCHELLE (1559)

  A Confissão Francesa de 1559, também chamada Confissão de La Rochelle ou Confissão Gálica foi composta pelo próprio João Calvino e seu pupilo De Chandieu, possivelmente com a ajuda de Theodore Beza e Pierre Viret. Após a primeira igreja francesa oficialmente calvinista em 1555, instalada na capital em Paris com os moldes da comunidade protestante de Estrasburgo fundada por Bucer e Calvino em 1538, contaram com o auxílio de Genebra pra formalizar seus artigos de fé, compostos pelo proeminente reformado João Calvino, refugiado francês instalado na Suíça. Foi revisada e aprovada pelo sínodo reformado parisiense em maio de 1559, sendo apresentada inicialmente ao monarca Francisco II em 1560, contando com um pedido pelo cessar da perseguição. Após sua morte foi apresentada no ano seguinte por Beza a seu sucessor Charles IX, em Poissy. Foi adotada oficialmente pelo Sínodo de La Rochelle em 1571 e foi solenemente sancionada pelo monarca criado como huguenote, Henrique IV. O original em fra
Postagens recentes

Os Pais da Igreja e a Substituição Penal

Se nos perguntássemos por que Jesus teve que morrer na cruz, a maioria de nós responderia: "Para pagar pelos nossos pecados!". É uma resposta bastante objetiva e parte da seguinte premissa: Deus nos criou em estado de plenitude e perfeição (Gn 1:26-28), contudo o pecado seduziu a humanidade e a condenou a morte (Gn 3:14-19; Rm 6:23). Adão, como representante da humanidade, transmitiu essa condenação a todos os outros (Rm 5:12-4; 1 Co 15:45-49) e Deus estabeleceu um padrão de regra para a justiça (Rm 3:19; Gl 3:19-20), junto com a condenação para quem a descumprisse (Dt 27:26). Todos nós acabamos descumprindo a Lei (Rm 3:9-20; 7:4-20), mas Cristo em si cumpriu a Lei por nós e pagou pelos nossos pecados (Ef 2:15; 1 Pe 2:24) De forma sintetizada, esta é a doutrina da substituição penal.  Poderia fazer um texto defendendo ela, mas o texto completo da Apologia à Doutrina da Substituição Penal  está em meu site, escrita pelo Mateus Magalhães com colaboração do Victor Hugo e a minha

O Massacre de São Bartolomeu segundo C. H. Spurgeon

O MASSACRE DE SÃO BARTOLOMEU C. H. Spurgeon Le Massacre de la Saint-Barthélemy, François Dubois, 1572-1584. Musée cantonal des beaux-arts de Lausanne. A infame atrocidade perpetrada na véspera de São Bartolomeu, 1572, pelos católicos romanos contra os inofensivos huguenotes ou protestantes da França não deixará de ser lembrada com mais intenso horror até o dia da restituição universal . A frieza dos procedimentos que instigaram tamanha carnificina e as paixões diabólicas que levaram os nobres e estadistas católicos a romperem os limites da humanidade ao liderar o massacre  tornam o evento sem paralelo na história dos enormes crimes. Assim, não há sombra de dúvida sobre quem eram os originadores do plano. Os católicos romanos conceberam o mais amargo ódio contra os huguenotes e estavam decididos de que a terra deveria ficar livre deles. Catarina de Médici, cuja inimizade furiosa contra o protestantismo fez dela um motor admirável no terrível desígnio, controlou seu filho, Carlos IX, suf

Apologia a Substituição Penal

Esse artigo foi escrito pelo Mateus Magalhães, da Apologética Luterana , contando com a colaboração do Victor Hugo, da mesma, e minha, especificamente na seção C. Foi originalmente postado em 24/04 no seu site pessoal, porém por não mais expressar o pensamento dos outros autores, está para ser excluído. Publico, então, em meu site, com total crédito a eles. 

A CONFISSÃO DE FÉ DE GUANABARA (1558) - Confissão reformada dos huguenotes no Brasil

Em 1555, um projeto de colonização francesa na região do atual Rio de Janeiro se inicia, comandada pelo vice-almirante Nicolas Villegaignon. No dia 1 de novembro deste ano, o almirante chega ao país com uma tripulação de 600 homens, fundando a colônia France Antarctique, "França Antártica", sediada na Ilha de Serigipe. Uma nova leva de 300 trabalhadores veio em 1557, após um apelo aos calvinistas de Genebra por homens capacitados e que pregassem a religião reformada que se desenvolvia. O novo grupo chegou no dia 7 de março de 1557, contando com 14 protestantes refugiados que no dia 10 de março celebraram o primeiro culto protestante das Américas .  A primeira Santa Ceia foi celebrada em 21 de março, iniciando uma série de controvérsias litúrgicas e doutrinárias que resultaria na expulsão dos huguenotes da ilha em outubro, partindo a França definitivamente em Janeiro. Entretanto, por problemas na embarcação, cinco deles retornaram e foram imediatamente presos, obrigados a redi

Inácio, o trigo de Deus - ENTRE A MORTE E A GLÓRIA

Na minha primeira publicação sobre os mártires da história da Igreja, falei de um dos meus preferidos, Policarpo de Esmirna , discípulo do Apóstolo João que morreu corajosamente em nome de Cristo. Cite também Inácio de Antioquia, seu bispo tutor que esteve em sua casa perto de morrer em Roma e é sua historia que contarei hoje, o grande Inácio, o mais famoso Pai Apostólico. Se quiser ver o vídeo que lancei no meu canal sobre ele, clique nesse link . Princípio e formação Ícone de Inácio, o Pai Apostólico Inácio nasceu entre os anos 30 a 35, próximo da morte do próprio Cristo. Assim como outros homens de sua época, adotava dois nomes, um para fins legais e outro para fins pessoais e seu primeiro nome  Ignatius  vinha de Ignis (fogo), enquanto seu segundo, Theophorus  (Téoforo) pode ser traduzido como “aquele que porta a Deus”, termo que condiz ao seu legado e se assemelha ao Teófilo bíblico (Lc 1:3; At 1:1), o qual significa “amigo de Deus”. Uma lenda antiga diz que ele era a criança que

O Eterno Cordeiro Pascal- PERI PASCHA

Graças a Deus a Páscoa chegou, meu momento dentro da igreja favorito em todo o ano. Infelizmente, o coronavírus continua dificultando nosso acesso aos cultos, prejudicando a celebração correta dessa festividade essencial a nós cristãos. Apesar das dificuldades, não podemos jamais nos esquecer do grande significado que a Páscoa tem para nós, filhos de Deus, focando sempre na Paixão e ressurreição de Nosso Senhor. Por essa razão, trago um texto muito belo escrito no século II por Melitão de Sardes, um homem bastante obscurecido no estudo da História da Igreja mas muito capaz em expressar todas as maravilhas desse acontecimento tão grandioso. Importante lembrar que publiquei um vídeo no meu canal com base neste mesmo texto  e se gostar, não se esqueça de se inscrever para receber mais vídeos e deixar seu like para apoiar. A História de Páscoa The Exodus , Horace William Petherick (1839-1919), Museum of Croydon Para compreender o texto de Melitão, é necessário recapitular a história da Pá