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Liturgia é paganismo? (Pt.1)



Um costume evangélico nocivo a tradição cristã é o de achar que tudo o que venha ou se assemelha a Igreja Católica Romana é pagão e idólatra, quase de forma automática. Os traumas quanto aos excessos católico-romanos em áreas como justificação, veneração e governo eclesiástico levou muitos evangélicos a desprezarem aquilo que é verdadeiramente cristão apenas por "parecer católico". Dentre os ricos elementos distorcidos em nossa fé devido a essa exclusão, estão:

  • Liturgia 
  • Sacramentos
  • Credos, Catecismos e Confissões
  • Governo eclesiástico
  • Riqueza artística
  • Honra aos mártires
  • Hinos e louvores de adoração verdadeira
Existem outras áreas que o evangelicalismo extremista afetou permanentemente na cristandade mas creio que essas sejam as mais notáveis. Escreverei uma série de publicações sobre cada um destes temas mas antes de explorar cada um com detalhes, é preciso esclarecer o que seria liturgia. Apenas uma palavra chique para "tradição"? Algo descartável no culto que tradicionalistas endeusam excessivamente? É o que veremos.

Significado 

Segundo o Oxford Learner's Dictionaries, liturgia é "uma forma fixa de orações e ações usadas no culto público em algumas religiões, especificamente o cristianismo". A palavra vem do francês ou latim tardio, provindo do original em grego λειτουργία (leitourgia), o qual segundo o dicionário léxico de Liddel e Scott significa "serviço público prestado e custeado por cidadão particulares" e também "serviço público dos deuses" [1]. Segundo o próprio dicionário, o termo aparece na Bíblia em duas passagens, 2 Co 9:12 e Fp 2:30. Um termo semelhante, λειτουργέω (leitourgeó), aparece em At 13:2,  referente a adoração dos crentes ao Senhor.

Em relação a primeira, ela nos apresenta algo muito interessante:
O serviço ministerial que vocês estão realizando não está apenas suprindo as necessidades do povo de Deus, mas também transbordando em muitas expressões de gratidão a Deus. (2 Coríntios 9:12, NVI)

A palavra chave é uma união de duas que estão comumente associadas no culto da igreja, διακονία (diakonia) e λειτουργία (leitourgia). Sendo assim, a liturgia está na Bíblia, mesmo que não da maneira em que a vemos comumente, e seu contexto aponta para a sua importância. O serviço ministerial aqui apresentado está ligado a caridade, a manifestação de amor cristã para com os necessitados. Existem vários estudos bíblicos mais aprofundados*, mas de forma geral, o apóstolo dispensa estímulos para a ajuda humanitária visto o ânimo da igreja e lhes dá a instrução de ofertarem sem temor, instruindo aos ministros a agirem com amor e semearem beneficentemente "para que em tudo enriqueçais em toda generosidade" (v.11).

A liturgia está intimamente ligada ao serviço dos ministros de amor pela congregação, agindo também como adoração ao Senhor. Os frutos que as contribuições da igreja trazem para os carentes estão ligados ao regulamentado proceder dos diáconos e presbíteros no serviço público, direcionado ao enriquecimento espiritual dos santos. Isto é liturgia.

No Antigo Testamento

A liturgia se inicia desde os tempos dos hebreus. O povo do Senhor sempre teve uma maneira correta de adorá-lo e isso é exposto nos seus justos preceitos contidos nos livros da Lei. Haviam regras para as vestes sacerdotais (Ex 39), para as ofertas dedicadas ao Senhor (Lv 2-6), para a purificação do povo (Lv 14), para os sacerdotes e seu comportamento diante da assembleia (Lv 21), para as festas (Lv 23), dentre muitas outras. Todas elas estavam sempre associadas a santidade e ao respeito que o povo prestava a Deus.

O povo hebreu levava muito a sério todos os passos necessários para a adoração do Senhor, tanto que isso é continuamente elogiado nos livros históricos. Fazer "o que era reto aos olhos do Senhor" (1 Rs 15:11) não era apenas uma questão moral mas também cerimonial, pois cerimônias desonrosas e altares impuros eram um grave problema na nação (Ml 1:7) . Essa impureza provinha da idolatria e da irreverência, pois a liturgia traz um respeito obrigatório ao que pertence ao Senhor.

A santidade de Deus era tamanha que envolveu casos sérios de punição ao povo. Nadabe e Abiú, filhos de Arão, morreram por ofertar fogo impuro ao Senhor (Lv 10:1), detentor de toda a santidade existente em sua sempiterna plenitude. Uzá, ao segurar a santa Arca da Aliança de maneira incorreta, pecou gravemente por ser do clã levítico responsável por cuidar dela e foi morto pelo Senhor, "devido a seu ato de irreverência" (2 Sm 6:7).

Davi confessa, após este ato desastroso, que "não havíamos consultado o Senhor sobre como proceder" (1 Cr 15:13). Isso indica que há um modo correto de adorá-lo e a intenção sozinha não basta

Deus, contudo, é Senhor de misericórdia e perdoa o mal proceder quando são justificados e seu perdão é rogado por pessoas justas. Ao realizar uma grande Páscoa, Ezequias convocou pessoas das tribos separatistas do Norte pois eles não celebravam a grande festa "segundo o que estava escrito" (2 Cr 30:6). Muitos se humilharam e dirigiram-se a Jerusalém afim de celebrar, porém não se purificaram corretamente, algo condenável perante os olhos do Senhor mas que foi perdoado depois da oração de Ezequias, rogando para "perdoar todo aquele que inclina o seu coração para buscar a Deus" (2 Cr 30:18)

Isso nos revela muito do caráter do Senhor. Ele é Deus de ordem, respeito e regras a serem seguidas, porém não é inflexível e insensível perante o coração humano. Ele sabe que corações voltados a Ele são mais importantes do que holocaustos, pois como está escrito "a obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão melhor do que a gordura de carneiros" (1 Sm 15:22). Isto, entretanto, em momento algum diminui a relevância litúrgica.

No Novo Testamento

Observamos que apesar das completas leis dos judeus redigidas para a adoração, Deus não as colocava acima de corações sinceros e assim os cristãos se guiaram. Todos sabemos que o judaísmo exerceu forte influência sobre a cristandade das primeiras décadas, inclusive o próprio Cristo e os apóstolos que seguiam os costumes judaicos de liturgia (Lc 4:16-17; At 13:14-15). Foi necessário um concílio organizado pelos próprios apóstolos para condenar ensinamentos de homens que obrigavam a circuncisão para a salvação. A história pode ser lida em Atos 15:1-21 e percebemos por todo o livro de Atos a crescente distinção entre cristãos e judeus, especialmente na obediência a Deus (At 5:17-42; 7:2-53)

As exigências da Lei não mais faziam parte do culto cristão. Então, do que ele era composto? O primeiro sinal de liturgia que observamos é em Atos 2:42-47, onde é descrito os costumes da Igreja na era apostólica. Assim está escrito:
Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos (...) Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiram o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo (Atos 2:42-43,46-47)

Vemos que a principal regra da liturgia cristã era a comunhão e o temor a Deus. Assim deve ser guiado o culto nas igrejas até os dias de hoje e as mais tradicionais que mantém a mensagem do evangelho verdadeiro são as que mais se aproximam deste culto. Alguns podem dizer, "mas não há detalhes!" e eu digo: Nunca haverá. As Escrituras nos trazem as normas básicas de culto e nos apresenta o dia das reuniões (At 20:7) e os sacramentos que devem ser realizados (Mt 28:19; 1 Co 11:23-26), porém todo o restante fica a cargo das congregações em desenvolverem costumes e tradições que não violem os preceitos bíblicos, guiadas pela instrução dos apóstolos e presbíteros escolhidos por eles.

Na Igreja Primitiva

Depois das Escrituras, nosso principal guia para a liturgia é a tradição apostólica, exposta pelos primeiros cristãos. Observamos esse testemunho nos apologistas do segundo século como Justino Mártir (100-165 d.C), um dos maiores defensores da fé no início da Igreja, descrevendo a liturgia dominical em sua obra chamada Primeira Apologia. Assim ele diz:

No dia que se chama do Sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se leem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esse belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces [2]

Isto nos dá um parâmetro mais claro de como funcionava a liturgia na antiga Igreja. Primeiro, observamos que o dia de culto dos cristãos é o Domingo, chamado dia do Sol. Isto Justino Mártir explica mais adiante, em coerência com outro grande bispo, Inácio de Antioquia (35-108 d.C), discípulo de João, testificando que o dia normativo é o Domingo tendo em vista a ressurreição de Cristo Jesus [3].

A liturgia é composta pela leitura bíblica da "memória dos apóstolos", a maneira que eles chamavam os Evangelhos, ou os "escritos dos profetas", as Escrituras hebraicas como um todo. As Escrituras sempre tiveram papel fundamental na liturgia e era a grande revelação dos preceitos divinos aos cristãos, ocupando lugar de destaque no culto, assim como a Lei era central na adoração judaica (Lc 4:16). 

Acompanhado de seu estudo e da exortação realizada pelos presbíteros, chamada homília anos depois, estava o momento solene da Santa Ceia, chamada Eucaristia pelas primeiras comunidades, onde a morte de Cristo era proclamada e a graça contida nos sacramentos era transmitida aos fiéis. Por fim, tínhamos as preces realizadas em conjunto de toda a congregação, envolvendo geralmente uma confissão pública de pecados.

Outra grande fonte sobre o culto cristão, ainda mais antigo que Justino Mártir ou Inácio, é o Didaquê, chamado também de "A Instrução dos Doze Apóstolos". catecismo cristão composto entre os anos 60 a 90 d.C. Ele contém instruções sobre o modo de viver dos cristãos, repetição de ensinamentos apostólicos e maiores esclarecimentos sobre o batismo (Cap. VII), o jejum (Cap. VIII) e a Eucaristia (Cap. IX). Novamente, percebemos a liturgia como elemento essencial na ordem e unidade da adoração, mantendo a coesão da Igreja.

O culto litúrgico cristão visa se distanciar do culto dos pagãos e perseguidores de Cristo mas também como forma de certificar-se dos crentes verdadeiros. Após dar as instruções necessárias, é dito que "aquele que ensinar tudo o que foi dito, deve ser acolhido" [4]. A adoração verdadeira caracteriza uma fé verdadeira.

Os costumes judaicos de purificação e holocaustos desaparecem para dar lugar a uma adoração sincera e comunitária que mantenha a reverência ao Deus Santíssimo. A maioria das igrejas não era grandemente ornamentada e não possuía requintes decorativos como as sinagogas helenistas da época, porém os corações eram totalmente voltados ao Senhor, sem lugar para exageros emocionais, danças, línguas inexistentes, convulsões, louvores centrados no ego ou discursos de triunfo.

A Pessach (פסח, "passar por cima"), a Páscoa Judaica, é substituída pela Páscoa Cristã, onde é celebrado a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, juntamente com o Pentecostes e a Epifania, a tríade das primeiras festividades cristãs. O Natal viria de uma ramificação desta última festa, como expliquei nesta publicação

Em segundo plano, os cristãos passam a lembrar e honrar continuamente os santos profetas (Lc 1:70), os santos apóstolos (Ap 5:8) e os santos mártires (Ap 7:9-12), sem venerá-los da forma que veneram ao Senhor e a Cristo. Isto fica bastante claro nas menções contínuas a eles nos textos primitivos.

Na Reforma

A Reforma não rompeu com os costumes mais tradicionais da cristandade como muitos imaginam. Lutero guardava muito do respeito litúrgico que adquiriu na Igreja Romana, adaptando de maneira que harmonizasse com os costumes primitivos e, principalmente, com a Bíblia. O Gottesdienst ("Divino Serviço", em alemão), a liturgia da Eucaristia, expressa por Lutero em suas fórmulas da Missa em 1523 e 1526 manteve muitas características da missa cristã tradicional, mudando alguns dogmas que a acompanham e seu idioma, que passou a ser o popular em vez do latim.

A Confissão de Augsburgo (1530) expressa em seu artigo 24 que "A missa entre nós é celebrada com maior devoção e seriedade que entre os adversários" [5], mostrando que a celebração litúrgica cristã não foi abandonada pelos protestantes. A liturgia luterana é melhor explicada em seu Livro de Concórdia (1580), usado como forma de unificar a adoração das igrejas católico-evangélicas, chamadas de luteranas pelos seus opositores.

A Igreja Anglicana adota o Livro de Oração Comum (1662) como documento oficial de sua liturgia e contém as regras para a orações matinais, orações funerárias, procedimento da Eucaristia e muitas outras tradições com embasamento histórico e bíblico a serem praticadas na igreja. Todas elas são usadas até hoje pelas igrejas tradicionais

Ambas as denominações, herdeiras da Reforma Protestante e confessoras dos Cinco Solas, não aboliram as imagens e o respeito aos santos, ainda que com grandes modificações. As imagens e esculturas não são dignas de veneração nem recebem qualquer adoração [6], porém mantém dias litúrgicos dedicados a sua memória com preces específicas destinadas ao Senhor, apenas.

A Tradição Reformada, representada pelas igrejas continentais e pelas presbiterianas escocesas, tornaram-se menos litúrgicas que suas irmãs, apegadas mais ao culto expresso nas Escrituras. Desenvolveu-se o chamado Princípio Regulador do Culto, esclarecido nas várias confissões reformadas dos séculos XVI e XVII, onde "A maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas (...) ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras"[7] **.

Isto, entretanto, não é uma exclusão absoluta de todos os princípios litúrgicos não explícitos nas Escrituras. A Segunda Confissão Helvética (1566), adotada pelas igrejas reformadas de toda a Europa, expressamente aprova a guarda de dias especiais do calendário litúrgico, focando na vida de Cristo e no Pentecostes [8]

Os apóstolos, mártires e teólogos primitivos ainda podem ser chamados de santos, assim como todos os que estão unidos na comunhão da Santa Igreja de Cristo (1 Co 1:2; Ef 1:2), tidos como exemplos para todos segunda suas vidas de santidade, porém não lhes concedendo nenhum dia específico de memória, visto que o único dia consagrado é o Dia do Senhor [9].

Em todos os casos, a liturgia tradicional é mantida com o mesmo propósito da Igreja em seus tempos primitivos. O protestantismo não veio para abolir o culto tradicional mas para associar a adoração e reverência com a verdadeira mensagem da justificação pela fé.

Atualidade e Conclusão

A Reforma trouxe muitos bons frutos, mas os movimentos puritanos e evangélicos que se sucederam, por mais que tenham contribuído na espiritualidade, afetaram permanentemente a liturgia e os costumes tradicionais, chegando ao ponto de questionarem o próprio Domingo.

Os dissidentes da Igreja Anglicana foram os primeiros a se oporem aos elementos litúrgicos tradicionais, considerados excessivos e extravagantes.

Tratando da aproximação a Deus, a igreja Reformada [e os puritanos] sempre observaram estabelecer uma ordem de adoração que eles pudessem validar biblicamente, e praticamente utilizar para o bem da congregação como "a geração escolhida, o sacerdócio real, a nação santa, o povo particular" (1 Pedro 2:9) [10]

A solenidade ainda era mantida por alguns grupos porém muitos elementos úteis a fé passaram a serem vistos como pagãos, adições romanas ao culto original. Isto, porém, não é verdadeiro. A tradição apostólica teve seu remanescente mantido, por mais que grandemente corrompida pela sé romana, e notamos a observância de dias litúrgicos, a honra aos santos, os sacramentos, a guarda do domingo e outros elementos testificados pelos Pais da Igreja, os cristãos que fundamentaram a teologia dos séculos seguintes. 

O povo de Deus guarda seus decretos justos e puros porque ele é santo e a santidade exige preparação. Um erro muito comum dos cristãos modernos é pensar que o fato de o véu ter rasgado (Mt 27:51) e Cristo atuar como nosso mediador, nenhuma formalidade é necessária para cultuar a Deus. Ele ainda é o Senhor Todo-Poderoso! Ele ainda exige adoração correta! Por mais que as Escrituras não sejam claras em todas as regulamentações da congregação, fica claro o respeito e a devoção que devem ser prestadas ao Altíssimo e que são constantemente desprezadas a fim de uma "espiritualidade livre", desprovida de reverência e dedicação de um povo escolhido glorificar.

Defendamos o protestantismo tradicional, longe de invenciones recentes, reinantes no cenário neopentecostal e de inúmeras seitas que se proliferam como vírus na cristandade. Soli Deo Gloria, glória somente ao Senhor dos mais altos céus, majestoso sobre a universalidade da existência. 

Expus nesta primeira parte a história da liturgia. Em seguida, irei mais a fundo no calendário litúrgico e em como conciliar a tradição num culto moderno. Encerro com o seguinte verso:

Adorem ao Senhor no esplendor da sua santidade; tremam diante dele todos os habitantes da terra. Salmos 96:9

Graça e paz a todos vocês,
Luigi Bonvenuto

CAPA DA PUBLICAÇÃO: Igreja luterana de São Marcos, Baltimore, Maryland

*Para a explicação do versículo utilizei o Comentário Bíblico de Matthew Henry de 1710, disponível em inglês. Recomendo fortemente aos que desejam explicações sábias sem desenrolar desnecessário.

**O trecho é retirado diretamente da Confissão de Fé de Westminster (1643-1646).

Referências:
[1] Henry George Liddell; Robert Scott [1940], A Greek-English Lexicon; Machine readable text (Trustees of Tufts University, Oxford) 
[2] Primeira Apologia, 67:3-5
[3] Primeira Apologia, 67:7; Carta aos Magnésios, 9:1
[4] Didaquê, XI, 1
[5] Confissão de Fé de Augsburgo, 24
[6] 39 Artigos da Religião, XXII.
[7] Confissão de Fé Batista de 1689, XX, 1) 
[8] Segunda Confissão Helvética, XXIV, 4)
[9] Segunda Confissão Helvética, XXIV, 2-3)
[10] Reformed Liturgical Services and the Puritan Order of Worship, The Order of Worship

Bibliografia:
Frank Senn (2004) The Bible and the Liturgy, Liturgy, 19:3, 5-12, DOI: 10.1080/04580630490459391
Reformed Liturgical Services and the Puritan Order of Worship, Articles on Puritan Worship and the Regulative Principle. A Puritan's Mind.
Oxford Leaner's Dictionaries, 2021, Oxford University Press
Confissão de Augsburgo (1530), Comissão Interluterana de Literatura, 2005.
Matthew Henry Commentary on the Whole Bible (Complete), 1706.
Didaquê, A Doutrina dos Doze Apóstolos (c.60-90), Escola Charles Spurgeon.
Primeira Apologia (c.155), Justino Mártir, Monergismo.
Carta aos Magnésios, (c. 107), Padres Apostólicos, Volume I, Coleção Patrística. Ed. Paulus
The Book of Common Prayer (1789), Episcopal Church.


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